Sobre seres urbanos e ets


À noite, vejo formas no horizonte que ao invés de libertar meus olhos, confinam. Luzes da cidade, ao invés de iluminar meu caminho, criam um caleidoscópio de imagens e pensamentos intermitentes. Um redemoinho sonolento que me traz sempre de volta ao mesmo lugar, para depois fugir no espaço novamente e novamente retornar... Penso nisso: re-tornar nova-mente. Como se o retorno ao mesmo ponto pudesse representar o novo!

Do pseudo conforto de um banco reclinável, sofro um ataque de luzes brilhantes, coloridas. Imagino ovnis extraterrestres tentando abduzir aos que não estão, como eu, na proteção dos seus aquários: naves-aquários inexpugnáveis de poderosa blindagem. Sinto que às vezes, os que estão do lado de fora me olham com compaixão, mas desprezo-os. Pra dizer a verdade quase nem os noto. Sinto-me seguro dentro dessa nave transparente. Não serei atacado! Estou protegido. Meus cavalos são poderosos ao meu comando, sob meus pés. Tá certo que, ao invés de cavalgar,  trotam,  marcam passo, sem sair do lugar. Isso me irrita um pouco por um instante. Depois, volto aos pensamentos fugazes e sonolentos. Todos os cavalos comprimidos a meus pés, iniciam um cortejo lento, como se estivessem prestes a explodir em expansão pelos ares, mas eu os contenho, não sem uma leve dor renitente pelo esforço continuado do calcanhar. Penso no médico. 


Paradoxalmente, a noite traz a certeza de que sobrevivi a mais um dia. Tenho a sensação de ser um vencedor. Sinto um alívio de pensar assim. Olho pro lado. Vejo, em outra nave-aquário, uma bela loira. Ela acende um cigarro. Penso: “como é que pode?” Sinto saudade, nem sei direito do quê. Talvez da irresponsabilidade / coragem / ilusão/ ingenuidade / petulância / ousadia de outros tempos menos congestionados... Mas, o dever me chama: primeira, segunda, primeira, segunda... Primeira, segunda terceira...quarta! 

Agora vai!

Seres urbanos, às vezes, transformamo-nos em alienígenas sem noção de tempo e espaço. Às 7 horas da noite, dentro de suas naves-aquários, encalacradas no trânsito, somos todos abduzidos pelas luzes em volta, e transportados para ilhas paradisíacas. Pena que logo chegaremos em casa, e o sonho acaba...


 Bom conselho!

Nunca reaja!

1. Quando alguém te pedir tudo no farol;
2. Quando alguém te pedir votos;
3. Quando o gerente do banco te ligar, dizendo que vai pagar teu cheque pela última vez;
4. Quando a hipoteca da tua casa estiver para ser executada;
5. Quando teu carro estiver para ser apreendido;
6. Quando a companhia telefônica te ligar às 8 da manhã pra te cobrar;
7. Quando receber um e.mail dizendo que você ganhou R$1.000.000,00;
8. Quando te apresentarem 3 forminhas pra você adivinhar onde está a bolinha;
9. Quando te disserem que não vai doer nada;
10. Quando a diretora da escola do teu filho te chamar pra conversar;
11. Quando o tesoureiro dessa mesma escola te chamar pra conversar;
12. Quando você for no mercado, e o feijão dobrou de preço, e o arroz, macarrão, manteiga, etc, também;
13. Quando o metrô, o ônibus, o táxi, a gasolina, o pedágio, conta de luz, água, condomínio, aumentarem 30%;
14. Quando você sentir alguém de atitude firme na tua retaguarda, principalmente se você for mulher, e estiver no metrô lotado;


Faça o seguinte:

a) Mantenha a calma.
b) Ponha as mãos em lugar visível.
c) Não faça movimentos bruscos. Só lentos.
d) Não reaja em hipótese alguma.
e) Tente acalmar o agressor.
f)  Faça e entregue tudo que está sendo pedido.
g) Nunca encare o teu algoz.
h) Saia do local o mais breve possível sem olhar pra trás.
i)  Não esboce qualquer ameaça de vingança.
j)  Dê graças a Deus de sair dessa vivo.
kkk) Exerça teu direito constitucional e inalienável de ficar calado, pois tudo que você disser poderá ser usado contra você!!!
L...) Sequelas? Pague um terapêuta. 


Seguí todos esses conselhos, e hoje sou a pessoa mais calma do mundo! Esquartejo um a um meus inimigos, calmamente.